Divulgação: Netflix Brasil

Review | 3% – Um grande final para uma grande série

Por em 16 de agosto de 2020.
ALERTAEssa matéria contém spoilers então, se você ainda não assistiu, sugerimos que volte nesse post depois.

Nesta sexta-feira, dia 14 de agosto, chegou ao fim a primeira série nacional da netflix. Desde que estreou em 2016, 3% acumulou fãs ao redor do mundo, sendo um enorme sucesso e abrindo portas para outras produções brasileiras do streaming. Finalizando em sua quarta temporada, gostando ou não gostando, não há como negar a importância da série para a nossa cultura. Com críticas fortíssimas sobre nossa sociedade, a produção levou o Brasil para o mundo de forma extremamente real, se tratando de um futuro distópico.

Mas será que é tão no futuro assim?

Para quem não se lembra, a realidade da série é dividida em dois lados. Por um lado temos o maralto, uma ilha rica em alimentos, tecnologia, medicina avançada, onde todos vivem sem preocupações. Enquanto do outro lado temos o continente, um lugar precário, sem energia, onde a população passa por todo o tipo de dificuldade para conseguir sobreviver. Todo ano é feito um processo, uma seleção para jovens de 20 anos de idade com várias provas realizadas pelo povo do maralto para escolher os 3% que ganharão o direito de ir viver na ilha.

Uma realidade dividida entre os ricos e os pobres, uns acham que são mais merecedores que outros enquanto 97% da população sofre sem ter o básico para se viver. Tem alguma diferença com o mundo em que vivemos?

Reprodução/Netflix

A quarta temporada de 3% começa de onde a terceira terminou, com nossos protagonistas finalmente se juntando para derrubar o maralto. E os fazendo sentir na pele todas as dificuldades que o continente passa, ou seja, o plano é acabar com a divisão de classes.

No primeiro episódio já começam as surpresas, pois Joana (Vaneza Oliveira), Rafael (Rodolfo Valente), Elisa (Thais Lago), Natália (Amanda Magalhães) e Marco (Rafael Lozano) vão até o prédio do processo fingindo que vão entrar em um acordo, porém logo os vemos viajando para o maralto e que tudo não passa de um plano de sabotar a tecnologia da ilha, fazendo exatamente a mesma coisa que o casal fundador fez com o continente anos atrás, os deixando sem fonte de energia. Enquanto isso, Michelle (Bianca Comparato) continua no continente tentando cumprir a parte dela na missão: infiltrar Xavier (Fernando Rubro) no processo e parar seu irmão André (Bruno Fagundes), que está fora de controle.

Personagens bem construídos

A partir de então, muitas coisas do plano dão errado mas é dessa forma que trazem um desenvolvimento mais delicado de cada personagem. Vemos uma lado mais sensível de uma Joana à procura de sua origem, um Marco lutando com o passado de sua família e tentando ser uma pessoa melhor, um Rafael deixando o ego de lado por um bem maior, uma Michelle finalmente trabalhando em grupo e sendo a líder que sabemos que tem capacidade de ser. Além de Natália, Elisa e Xavier que merecidamente ganharam maior destaque onde pudemos conhecer um pouco mais sobre a personalidade de cada um.

Quem demorou para aprender com os erros, foi a Glória (Cynthia Senek). Grávida de Marco, ela trai os amigos novamente por uma chance de vida melhor no maralto mas obviamente é passada pra trás pela comandante Marcela (Laila Garin). Até que finalmente vemos uma mudança quando ela percebe que está do lado errado e junto com sua amiga Ariel (Marina Mathey) ajuda o grupo à escapar do prédio do processo.

De protagonistas à secundários, nenhum personagem foi deixado para trás na narrativa. Todos tiveram seus encerramentos bem amarrados incluindo o casal fundador e “o velho”, interpretado por Celso Frateschi.

Reprodução: Netflix

A redenção de Marco

Sem dúvida, o melhor arco de 3% pertence à Marco. Sempre carregando nas costas o peso de ser da família Alvares – considerados da elite por sempre passarem no processo. De mocinho à vilão, de vilão à mocinho, é certo que o personagem passou por muitas mudanças. Desde a primeira temporada ele vem tentando ser aceito pela família e se encaixar nas expectativas que foram depositadas nele.

Por um lado ele carrega a culpa que sua mãe, Marcela, depositou em sua mente, por ser o primeiro dos Alvares à não passar no processo. Por outro lado temos seus amigos na revolução lutando por uma vida melhor, que é o que ele espera para seu filho, não ser criado como ele foi.

Reprodução: Netflix

De candidato da elite no processo, passando à chefe da milícia do continente e chegando à revolucionário da causa, Marco encontrou seu caminho, teve sua redenção ajudando à acabar com o maralto e protagonizou uma das cenas mais bonitas de 3%.

Em um show de atuação de Rafael Lozano, Laila Garin e Ney Matogrosso, fomos agraciados com a reunião da família Alvares em uma cena que nos leva às lágrimas. Logo após a usina da ilha ser destruída e começar a soltar radiação, Marco vai atrás de seu avô para um acerto de contas. Até que Marcela aparece para levá-los embora, eles se recusam e percebemos que não importa o que Marcela deixava transparecer, ela ama seu filho e se desespera para salvá-lo.

E é assim que chega ao fim a incrível jornada de Marco.

Ele não vê futuro para si mesmo no continente, não quer repetir os erros da família e acredita que não será um bom pai para seus filhos. O mais triste é que a série já nos mostrou o quanto ele estava disposto a dar uma vida melhor para seu filho Maurício, porém ele não consegue acreditar nisso graças ao nome de sua família e à precariedade vivida no continente.

Cumpriu sua missão acabando com o privilégio do maralto e nos deixa graças à radioatividade presente na ilha. Pela primeira vez na vida sentindo-se livre, ele parte em uma cena belíssima na praia.

Divisão de classes escancarada

Uma coisa sempre ficou muito clara em 3%, a injustiça da desigualdade social. Enquanto uns tem muito, outros tem quase nada e essa sempre foi a grande crítica feita na série. Um exemplo que vemos nessa última temporada, é a relação da Natália com os livros. Quando ela chega no maralto junto com os outros, além de todo o luxo da casa em que ficam hospedados, eles se deparam com uma estante e Natália fica deslumbrada por nunca ter visto um livro inteiro. Em uma cena extremamente sensível, a personagem encantada com o livro começa a folhear e cheirar, o que pode parecer pequeno para alguns, mas diz muito sobre a realidade tanto da série quanto do nosso país.

Reprodução: Netflix

Um final grandioso para uma série grandiosa!

Por fim, 3% nos entrega um final épico e impecável. Desde produção, edição, atuações, com destaque para a fotografia e trilha sonora incríveis, a série nos encheu de orgulho por estar levando a cultura brasileira para o mundo. Após 4 anos de muitas reviravoltas, nos fez rir, chorar, passar nervoso, comemorar e passar por um misto de emoções. Do ínicio ao fim, a série é uma obra de arte nacional e se você não conferiu ainda, corre pois não vai se arrepender. Com toda certeza, sentiremos saudades.

Obrigada à todos os envolvidos por esse presente que foi 3%!

REVIEW | O que achamos de The Umbrella Academy 2

TOP 10 – Filmes em que Chris Hemsworth provou ser perfeito

Comentários

Desenvolvido por